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Terça-feira, Janeiro 15, 2008


PRAIA
Muito tempo sem atualizar meu blog, mas dois motivos me impediram: uma saída rápida para a praia e computador com problema. Agora, já em casa e com o aparelho em condiçoes de uso, chego ao Rosa da Terra, para ver as mensagens deixadas e que sempre me deixam feliz, pois saber que alguém lembra de nós é muito gratificante.
Sempre que dou uma fugidinha para a praia, procuro focalizar a beleza da natureza, a água, sol, areia, pessoas que passam, tomar sorvete, encontrar amigos, caminhadas. Mas, desta vez, olhei tudo sob novo ângulo, e comparei com as praias de antes. Que beleza aproveitar os cômoros de areia onde rolávamos de cima abaixo, o pátio com sapos e rãs que fugindo do calor e procurando alimento chegavam até o pátio das casas e à noite era uma sinfonia de coachares. O vendedor de picolés passava de lá prá cá apitando para chamar a atenção da criançada, acompanhados pelo vendedor de balas de coco, puxa-puxa, cocadinhas, pães.Cada um fazendo sua propaganda característica e com isto uma barulheira danada, mas que hoje me dá saudade. À noite a ventania era constante e assobiava batendo nas paredes das casas simples. Víamos na areia: conchinhas, mariscos, tatuiras, siris, caranguejos. Nada disso enxergamos mais. E acreditem, ninguém levava cachorro na praia.
Hoje tudo é muito diferente, as casas simples deram lugar aos edifícios enormes, arranha-céus, sinaleiras, guardas de trânsito, proibições pela Saúde de venda ambulante de pães, cocadinhas e pela secretaria do Meio Ambiente dos barulhos para vender picolés, sorvetes, puxa-puxas. Os moradores fixos, entrando na justiça, conseguiram proibir que os carros toquem músicas com volume mais alto, que nos bares toquem música, que o comércio fique aberto após às 23 horas.
Com isto o que acontece?? só nos resta passeio em calçadas, compra de artesanato, fila para sorvete, fila para restaurante,fila no supermercado, passeio no Shopping, guarda de trânsito, comer, comer, aceitar que cachorro na praia hoje é coisa chic, dormir cedo e voltar com quilos a mais.
Esta urbanização das praias, me faz pensar: como será ir à praia daqui mais um tempo?? Pagaremos para estar na beira do mar? pagar desinfectação da areia? Dar lugar para os cachorros? (cruz credo)! Só usará cadeira e guarda- sol quem paga imposto sobre o uso do espaço marítimo??
Já não temos os bichinhos característicos, nem montes de areia, só nos resta consumir: que venha a cerveja, o churro, o cachorro quente e... as medidas do nosso físico......estas sim indo para o brejo!





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